Seria bom que a classe política se debruçasse sobre estes últimos 40 anos. Em primeiro lugar, olharem para o percurso do país, do qual nos anos 60 as pessoas comuns, tinham que atravessar os Alpes, para poderem ganhar a vida, e depois de muitos anos de trabalho no estrangeiro, virem montar estabelecimentos comerciais, e re-instalarem-se em solo luso, no sentido de criarem os seus rebentos que nasceram lá longe.
Na verdade, nunca se olhou para a estrutura da população portuguesa, não se olhou para a educação como forma de formar pessoal devidamente qualificado para entrar num mercado de trabalho. Nunca se pensou, que ao deixar-se fechar fábricas de conservas no sul do país, nomeadamente no Algarve, iria de alguma forma influenciar o crescimento populacional da zona.
Em 1974 falou-se de «uma espécie de democratização do ensino», falou-se e fez-se, provavelmente mal feito e mal pensado, pois que de alguma forma tinha que se parar a entrada no ensino superior da população existente. Entre 1974 e 1977, o contingente de candidatos passou repentinamente dos 14000 para os 28000, e aí teve que se estancar as entradas e arranjar uma forma rápida de quebrar de alguma forma a corrente de acesso ao ensino superior.
Porém, ao mesmo tempo que se limitava isto, o aparecimento repentino de uma população que necessitava de emprego urgente, casa, educação e todo um conjunto de medidas com características excepcionais, levou a que o número de habitações existentes para alugar, ficassem reduzidas a expressões nunca antes vista, tendo todo o jovem casal de pensar várias vezes em que sarilho se iria meter, para conseguir arranjar uma casa mais ou menos decente. Os direitos das transmissões das chaves, os quais eram apelidados por trespasse, situava-se na altura em cerca de 50.000$00, actuais € 250,00, porém os preços variavam, dependendo dos locais, dos senhorios e até das agências.
O ensino começou a ser pensado de uma forma que não olhou para o futuro, mas sim, para um futuro mais imediato e não de longo prazo. O trabalho e emprego que já era reduzido, logicamente começou a ser cada vez mais complicado, se bem que não se possa pensar da especialização técnica e comercial necessária para se entrar como empregado de escritório, contabilista ou operário fabril.
A reforma da educação começou com Veiga Simão em Janeiro de 1970, o qual traçou em linhas muito gerais, algumas mudanças, que iriam perdurar durante cerca de 20 anos, até que alguém teve a infeliz ideia de transformar o Ano de Serviço Cívico, em algo mais que isso, um ano propedêutico, no qual o aluno aprenderia algo mais sobre a matéria específica do curso a que se queria candidatar. Esta parte é uma forma muito geral de colocar a questão. Porque efectivamente, tal prática nunca sucedeu. O que sucedeu, foi que o alargamento do Secundário para mais um ano, para travar a fuga dos alunos do sistema Secundário para o Universitário, veio efectivamente a concretizar-se. Impôs-se mais horas de Português, mais horas de Matemática, e mais coisa menos coisa, o 12º ano veio para ficar. Porém, o pensamento na altura, seria outro, o 12º ano, seria efectivamente algo que fomentaria a entrada do jovem na vida activa, para aqueles que não quisessem prosseguir os estudos. O estancamento das entradas no Ensino Superior através do Serviço Cívico, implementada como uma medida extremamente revolucionária para modificar a sociedade, veio a verificar-se completamente incongruente. Na realidade o país não se modificou, o sistema económico, financeiro e social implementado continuou como até aí, e pouco ou nada se modificou. Mas modificou, a mentalidade dos jovens da altura, levando-os a concluir os seus percursos formativos mais tarde, a ter de olhar para o futuro com menos esperança, a evitar que casais se formassem e que os filhos nascessem. Isto porque, derivado de uma situação de emergência nacional, sem se pensar como seria o futuro daí a 40 ou 50 anos.
AS actuais medidas anunciadas de apoio à natalidade, são pouco ou nada eficientes, pois que quer se queira quer não, o desemprego e o baixo salário está aí para durar, a ultra especialização, de pouco ou nada serve, porque o país não está preparado para uma ultra especialização. O fecho constante das fábricas é uma realidade, e o número de alunos formados sem emprego vai engrossando, apesar de não serem contabilizados como desempregados. Porém, dificilmente conseguem aceder a um mercado de trabalho inexistente.
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sábado, 19 de julho de 2014
sábado, 25 de maio de 2013
A história das história!
Bem sei que certos dados históricos só devem ser
analisados passados 50 anos, e o certo é que ainda não passaram 50
anos sobre o 25 de Abril. Porém, era conveniente olhar para a
história e tentar pelo menos não cometer alguns dos erros que
entram pelos olhos dentro da população.
Os grandes obreiros do 25 de Abril de 1974 foram os
militares, que de certa forma, certa ou errada, aquilo que vivi, pois
é desse ponto de vista, é que o pessoal estava a começar a ficar
farto de comissões no ultramar, se bem que essas mesmas comissões
dessem algum rendimento para o oficial poder constituir família e
comprar uma casa, coisa que a maior parte da população ainda não
se podia dar a esse luxo. Porém, e em todas as histórias existe um
porém, a maior parte da população do continente vivia mal, com
ordenados baixos sendo muitas vezes levados a viver nos subúrbios da
cidade, onde as rendas das casas eram ligeiramente mais baixos, dando
de certa forma margem para poder adquirir os bilhetes de transporte.
À época, ainda estudante, observava-se o «medo»,
medo de não conseguir arranjar trabalho, pois que o mercado de
trabalho estava mal, a existência de casa para alugar era já uma
realidade, tanto que apareceu o J. Pimenta com o seu empreendimento
imobiliário.
Com o êxodo das colónias, a população do
continente disparou subitamente, famílias inteiras foram deslocadas,
e o mercado habitacional tornou-se uma forma rápida de fazer
dinheiro, com uma situação nova, o «trespasse da chave», pedia-se
50,000$00 pela chave da casa, enquanto que a renda podia ser de
5,000$00 ou 10.000$00 por mês,
O súbito aumento da
população levou a que como é lógico, que todos os que eram
funcionários da função pública tivessem que ser integrados
forçosamente, daí que tenha existido uma explosão de lugares de
quadro na Função Pública. Às tantas, existiam bastante mais
funcionários públicos do que era necessário, Além disso, e tendo
em consideração que a situação vivida por muitas destas pessoas
ter vivido em zonas de guerra e nos trópicos. Porém, os nossos
políticos não olharam na altura a esse incremento súbito de
população, e esqueceram-se de prevenir o futuro. As previsões
sempre foram de muita curta duração, faz-se assim e «depois logo
se vê». Quando o actual Presidente da Republica foi primeiro
ministro, olhou para os mapas de pessoal e o que viu, um número
muito significativo de funcionários muito perto dos 55 anos, e que
talvez se pudessem aposentar imediatamente, podendo pagar as quotas
que faltavam à CGA. Houve bastantes funcionários que aproveitaram
essa benesse, outros que aguentaram mais um ou dois anos até chegar
aos 60 e pediram a aposentação, e houve ainda outros que devido a
doenças prolongadas nunca chegaram à aposentação. Ainda de acordo
com um despacho do primeiro ministro na altura, só poderia entrar um
funcionário se dois saíssem. Ora, se isto foi uma solução na
altura, também não olhar para o futuro. O Funcionário Público não
é aquele gajo que não faz nada. Até faz e se calhar faz mais do
que pensam. Se o cidadão comum vai a uma repartição e não o
atendem, reclama que demorou muito tempo a atender, porém, se olhar
para o número de secretárias vazias, talvez possa começar a fazer
uma ideia, do que é não ser atendido por falta de pessoal. Pois, se
se reduz pessoal os diversos serviços deixam de funcionar, já que
não é só ter computadores e internet e intranet que se conseguem
resolver os problemas.
O fazer de conta que a
história não existe, é como atirar uma pedra para cima da nossa
cabeça e esperar que por sorte ela caia ao lado. Quase de certeza
que se não nos mexermos ela nos acerta em cheio na cabeça.
Neste vaivéns da
política, e da política saí 2 entra 1 é lógico que irá existir
défice, défice em várias áreas. Não existem verbas para o
subsídio de nascimento, para o pessoal da função pública que tem
ordenados acima dos 700,00 €, não faz mal, corta-se e não se
repõe. Porém, este cortar aqui e cortar ali, leva os casais a
retraírem-se de ter filhos, pois que um filho, quer com ajuda do
estado quer sem ela custa a educar e a criar.
Nas classes mais baixas a
proliferação dos filhos existem, e nalguns casos em plena
adolescência. A natalidade tem sobe e desce ao longo dos anos e das
décadas, em décadas mais «ricas», é lógico que as famílias
irão ter mais filhos, pois que os podem efectivamente ter. Por outro
lado, quando o Estado aperta com todo o contribuinte, chupando-o tudo
aquilo que ele tem disponível então não fica espaço para se poder
educar uma criança.
Será que o governo
espera que todo o mundo fique estático e parado à espera de um
provável milagre económico. Vejamos, o buraco existente hoje foi
provocado por quem. Vem do tempo de X, vem do tempo Y, e daqui a
pouco terá certamente sido D. Afonso Henriques, que resolveu
rebelar-se contra a mãe, e assumir o Condado.
Vejamos o buraco foi
provado por um banco, o qual o estado já vendeu, porém ficou com o
produto tóxico, o qual é impossível parar, se não forem à raiz
do problema, mas isso é outro problema, ninguém consegue perceber o
sorvedoro que esse banco é. O buraco, dizem que contínua, este
governo fala de 4 milhões, mas antes de ser governo já falava dos 4
milhões. Ora não foi a função pública que ficou com as carreiras
congeladas há muito tempo. Que viu o seu vencimento ser reduzido em
3,5% o equivalente a cerca de 150,00 €, que já leva corte e mais
corte, que vê um vencimento cada vez mais reduzido, olhando para o
futuro sem quaisquer perspectivas.
Na realidade, na Função
Pública trabalham pessoas que já tem por detrás uma carreira com
desconstos, os quais nem sequer podem ser faladas, para adita
aposentação aos 65 anos. Então se um sujeito qualquer tiver
começado a trabalhar no privado, feito descontos para o privado
durante esses dez anos, e depois entra na função pública, e ao fim
de 28 anos a trabalhar para o estado, vem lhe dizer, «é pá, tem
paciência, mas aquilo que descontaste para o sítio tal, não vale
nada, só vais ter isto, menos X/, porque nós estoirámos o dinheiro
que descontaste a fazer PPP's, a pagar Rendas a esta empresa, e a
pagar os juros dos empréstimos que fizemos para as auto-estradas
necessárias para as acessibilidades, pois que o Campeonato da
Europa de Futebol não se faz sem auto-estradas.
Esta é a história de
uma história, e é a visão de um cidadão comum, que já se arrepia
do que irá ouvir a seguir. Já que o seu olhar pode ver numa rua bem
movimentada de Tavira, que algumas lojas tinham desaparecido. A loja
de Fotografia e reportagens de casamentos e baptizados fechou as
portas e transformou-se em venda de imóveis. O Supermercado da Fruta
na mesma rua está para obras, resta saber que tipo de loja irá
existir. A loja da esquina que dá para o largo, está para
«Aluga-se», a Livraria desapareceu, e mais uma série delas estão
às moscas.
No meio disto,
pergunto-me, para quê sacrificar os portugueses, quando as lojas
fecham, porque não tem clientes, e os clientes não vão porque
estão a ser completamente espoliados daquilo que ganham.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Se não tem préstimo para quê guardar?
Quando o país teve eleições antecipadas foi porque o governo anterior tinha cometido asneiras de tal forma, que não existia senão atirá-lo para o caixote do lixo, daí que o país tenha ido a eleições, e tenha escolhido o pessoal do outro lado da barricada. Se olharmos para o eleitorado, existiu eleitorado que nem sequer lá pôs os pés, por várias razões, porque todo o pessoal que chega ao governo, faz trinta por uma linha, não olha para o que se passa, pois que só vê ali mesmo ao pé da porta.
Pessoalmente não acredito que um governante não olhe para o que se passa na sua rua e na rua adiante onde mora. Bolas as lojas devem ter fechado, a frequência do café onde vai beber a bica deve ter caído a pique. Então porque é que os governantes não vêm isso.
Ignoro, mas não ignoro é que o país virou para o PSD porque estava farto do PS, ou melhor dizendo, do Engenheiro Sócrates. Virou para o PSD para fugir a outro lado, porém, quando o eleitor vota em determinado partido, está a votar em algo que não sabe o que terá pela frente. Tivesse o Primeiro Ministro dito que ia escolher o actual Ministro das Finanças, que, creio bem que muita gente, teriado votado para outro lado, talvez inclusivé mais à esquerda. Isto, o português não é nem burro, nem estúpido.
A meditação faz muito bem e relaxa a mente e os nervos, porém, em meditações já esteve o país em demasia, já existiram demasiados tempos de meditação. E sempre é preferível alguma bagunça, do que dar cabo de um país, que daqui a uns cem anos, é bem capaz de estar integrado numa das várias províncias espanholas.
Pessoalmente não acredito que um governante não olhe para o que se passa na sua rua e na rua adiante onde mora. Bolas as lojas devem ter fechado, a frequência do café onde vai beber a bica deve ter caído a pique. Então porque é que os governantes não vêm isso.
Ignoro, mas não ignoro é que o país virou para o PSD porque estava farto do PS, ou melhor dizendo, do Engenheiro Sócrates. Virou para o PSD para fugir a outro lado, porém, quando o eleitor vota em determinado partido, está a votar em algo que não sabe o que terá pela frente. Tivesse o Primeiro Ministro dito que ia escolher o actual Ministro das Finanças, que, creio bem que muita gente, teriado votado para outro lado, talvez inclusivé mais à esquerda. Isto, o português não é nem burro, nem estúpido.
A meditação faz muito bem e relaxa a mente e os nervos, porém, em meditações já esteve o país em demasia, já existiram demasiados tempos de meditação. E sempre é preferível alguma bagunça, do que dar cabo de um país, que daqui a uns cem anos, é bem capaz de estar integrado numa das várias províncias espanholas.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
O grande erro dos nossos políticos
O grande erro dos nossos políticos tanto faz eles serem da esquerda, direita ou centro, é que o país viveu uma explosão populacional em 1975/76 com a descolonização, e a entrada de milhares de pessoas da ex-colónias. Falemos claro, os «retornados» vieram trazer sangue novo, pessoas novas, mas também outro tipo de encargos.
Foi fácil integrar socialmente estas pessoas, porém, não foi tão fácil assim, olhar para o futuro, e chegar à decisão do tempo em que o nosso actual Presidente decidiu que por cada dois funcionários públicos que saissem só entraria um. Logo aí, começa sem dúvida o défice da Caixa Geral de Aposentações.
Anos mais tarde, é dado a hipótese ao Funcionário da FP que quando está a recibos verdes ou contratados possa descontar ou para a Segurança Social ou para a Caixa Geral de Aposentações. Como na maioria dos casos o contrato de trabalho até é a prazo, e após esse período o dito funcionário do estado até pode arranjar algo melhor, então mal por mal, a Segurança Social até é preferível. Porém, a nível político esqueceram-se que o sistema é um sistema em pirâmide, tem que existir entradas, senão não podem haver saídas. Isto é, a CGA não é nenhuma bolha financeira, porém o próprio estado, começou a fazer dela uma espécie de bolha, que rebenta um dia destes.
Esqueceram-se que as pessoas que vieram das ex-colónias, já há muito que deixaram o sistema, muitas até já faleceram, outras continuam a receber a sua aposentação e que muitas delas até pagaram à CGA para se poderem aposentar mais cedo.
Façam bem as contas, e olhem para a história, a coisa não é tão negra como os nossos políticos andam a fazer crer, porém existem uns que pensam que chupando o tutano dos ossos ao pessoal, conseguem encher os cofres do Estado para pagar juros altos, e a prazos curtos.
Foi fácil integrar socialmente estas pessoas, porém, não foi tão fácil assim, olhar para o futuro, e chegar à decisão do tempo em que o nosso actual Presidente decidiu que por cada dois funcionários públicos que saissem só entraria um. Logo aí, começa sem dúvida o défice da Caixa Geral de Aposentações.
Anos mais tarde, é dado a hipótese ao Funcionário da FP que quando está a recibos verdes ou contratados possa descontar ou para a Segurança Social ou para a Caixa Geral de Aposentações. Como na maioria dos casos o contrato de trabalho até é a prazo, e após esse período o dito funcionário do estado até pode arranjar algo melhor, então mal por mal, a Segurança Social até é preferível. Porém, a nível político esqueceram-se que o sistema é um sistema em pirâmide, tem que existir entradas, senão não podem haver saídas. Isto é, a CGA não é nenhuma bolha financeira, porém o próprio estado, começou a fazer dela uma espécie de bolha, que rebenta um dia destes.
Esqueceram-se que as pessoas que vieram das ex-colónias, já há muito que deixaram o sistema, muitas até já faleceram, outras continuam a receber a sua aposentação e que muitas delas até pagaram à CGA para se poderem aposentar mais cedo.
Façam bem as contas, e olhem para a história, a coisa não é tão negra como os nossos políticos andam a fazer crer, porém existem uns que pensam que chupando o tutano dos ossos ao pessoal, conseguem encher os cofres do Estado para pagar juros altos, e a prazos curtos.
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