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sábado, 19 de julho de 2014

40 anos depois do 25 Abril de 1974

Seria bom que a classe política se debruçasse sobre estes últimos 40 anos. Em primeiro lugar, olharem para o percurso do país, do qual nos anos 60 as pessoas comuns, tinham que atravessar os Alpes, para poderem ganhar a vida, e depois de muitos anos de trabalho no estrangeiro, virem montar estabelecimentos comerciais, e re-instalarem-se em solo luso, no sentido de criarem os seus rebentos que nasceram lá longe.

Na verdade, nunca se olhou para  a estrutura da população portuguesa, não se olhou para a educação como forma de formar pessoal devidamente qualificado para entrar num mercado de trabalho. Nunca se pensou, que ao deixar-se fechar fábricas de conservas no sul do país, nomeadamente no Algarve, iria de alguma forma influenciar o crescimento populacional da zona.

Em 1974 falou-se de «uma espécie de democratização do ensino», falou-se e fez-se, provavelmente mal feito e mal pensado, pois que de alguma forma tinha que se parar a entrada no ensino superior da população existente. Entre 1974 e 1977, o contingente de candidatos passou repentinamente dos 14000 para os 28000, e aí teve que se estancar as entradas e arranjar uma forma rápida de quebrar de alguma forma a corrente de acesso ao ensino superior.

Porém, ao mesmo tempo que se limitava isto, o aparecimento repentino de uma população que necessitava de emprego urgente, casa, educação e todo um conjunto de medidas com características excepcionais, levou a que o número de habitações existentes para alugar, ficassem reduzidas a expressões nunca antes vista, tendo todo o jovem casal de pensar várias vezes em que sarilho se iria meter, para conseguir arranjar uma casa mais ou menos decente. Os direitos das transmissões das chaves, os quais eram apelidados por trespasse, situava-se na altura em cerca de 50.000$00, actuais € 250,00, porém os preços variavam, dependendo dos locais, dos senhorios e até das agências.

O ensino começou a ser pensado de uma forma que não olhou para o futuro, mas sim, para um futuro mais imediato e não de longo prazo. O trabalho e emprego que já era reduzido, logicamente começou a ser cada vez mais complicado, se bem que não se possa pensar da especialização técnica e comercial necessária para se entrar como empregado de escritório, contabilista ou operário fabril.

A reforma da educação começou com Veiga Simão em Janeiro de 1970, o qual traçou em linhas muito gerais, algumas mudanças, que iriam perdurar durante cerca de 20 anos, até que alguém teve a infeliz ideia de transformar o Ano de Serviço Cívico, em algo mais que isso, um ano propedêutico, no qual o aluno aprenderia algo mais sobre a matéria específica do curso a que se queria candidatar. Esta parte é uma forma muito geral de colocar a questão. Porque efectivamente, tal prática nunca sucedeu. O que sucedeu, foi que o alargamento do Secundário para mais um ano, para travar a fuga dos alunos do sistema Secundário para o Universitário, veio efectivamente a concretizar-se. Impôs-se mais horas de Português, mais horas de Matemática, e mais coisa menos coisa, o 12º ano veio para ficar. Porém, o pensamento na altura, seria outro, o 12º ano, seria efectivamente algo que fomentaria a entrada do jovem na vida activa, para aqueles que não quisessem prosseguir os estudos. O estancamento das entradas no Ensino Superior através do Serviço Cívico, implementada como uma medida extremamente revolucionária para modificar a sociedade, veio a verificar-se completamente incongruente. Na realidade o país não se modificou, o sistema económico, financeiro e social implementado continuou como até aí, e pouco ou nada se modificou. Mas modificou, a mentalidade dos jovens da altura, levando-os a concluir os seus percursos formativos mais tarde, a ter de olhar para o futuro com menos esperança, a evitar que casais se formassem e que os filhos nascessem. Isto porque, derivado de uma situação de emergência nacional, sem se pensar como seria o futuro daí a 40 ou 50 anos.

AS actuais medidas anunciadas de apoio à natalidade, são pouco ou nada eficientes, pois que quer se queira quer não, o desemprego e o baixo salário está aí para durar, a ultra especialização, de pouco ou nada serve, porque o país não está preparado para uma ultra especialização. O fecho constante das fábricas é uma realidade, e o número de alunos formados sem emprego vai engrossando, apesar de não serem contabilizados como desempregados. Porém, dificilmente conseguem aceder a um mercado de trabalho inexistente.





sábado, 25 de maio de 2013

A história das história!


Bem sei que certos dados históricos só devem ser analisados passados 50 anos, e o certo é que ainda não passaram 50 anos sobre o 25 de Abril. Porém, era conveniente olhar para a história e tentar pelo menos não cometer alguns dos erros que entram pelos olhos dentro da população. 

Os grandes obreiros do 25 de Abril de 1974 foram os militares, que de certa forma, certa ou errada, aquilo que vivi, pois é desse ponto de vista, é que o pessoal estava a começar a ficar farto de comissões no ultramar, se bem que essas mesmas comissões dessem algum rendimento para o oficial poder constituir família e comprar uma casa, coisa que a maior parte da população ainda não se podia dar a esse luxo. Porém, e em todas as histórias existe um porém, a maior parte da população do continente vivia mal, com ordenados baixos sendo muitas vezes levados a viver nos subúrbios da cidade, onde as rendas das casas eram ligeiramente mais baixos, dando de certa forma margem para poder adquirir os bilhetes de transporte.


À época, ainda estudante, observava-se o «medo», medo de não conseguir arranjar trabalho, pois que o mercado de trabalho estava mal, a existência de casa para alugar era já uma realidade, tanto que apareceu o J. Pimenta com o seu empreendimento imobiliário.


Com o êxodo das colónias, a população do continente disparou subitamente, famílias inteiras foram deslocadas, e o mercado habitacional tornou-se uma forma rápida de fazer dinheiro, com uma situação nova, o «trespasse da chave», pedia-se 50,000$00 pela chave da casa, enquanto que a renda podia ser de 5,000$00 ou 10.000$00 por mês,

O súbito aumento da população levou a que como é lógico, que todos os que eram funcionários da função pública tivessem que ser integrados forçosamente, daí que tenha existido uma explosão de lugares de quadro na Função Pública. Às tantas, existiam bastante mais funcionários públicos do que era necessário, Além disso, e tendo em consideração que a situação vivida por muitas destas pessoas ter vivido em zonas de guerra e nos trópicos. Porém, os nossos políticos não olharam na altura a esse incremento súbito de população, e esqueceram-se de prevenir o futuro. As previsões sempre foram de muita curta duração, faz-se assim e «depois logo se vê». Quando o actual Presidente da Republica foi primeiro ministro, olhou para os mapas de pessoal e o que viu, um número muito significativo de funcionários muito perto dos 55 anos, e que talvez se pudessem aposentar imediatamente, podendo pagar as quotas que faltavam à CGA. Houve bastantes funcionários que aproveitaram essa benesse, outros que aguentaram mais um ou dois anos até chegar aos 60 e pediram a aposentação, e houve ainda outros que devido a doenças prolongadas nunca chegaram à aposentação. Ainda de acordo com um despacho do primeiro ministro na altura, só poderia entrar um funcionário se dois saíssem. Ora, se isto foi uma solução na altura, também não olhar para o futuro. O Funcionário Público não é aquele gajo que não faz nada. Até faz e se calhar faz mais do que pensam. Se o cidadão comum vai a uma repartição e não o atendem, reclama que demorou muito tempo a atender, porém, se olhar para o número de secretárias vazias, talvez possa começar a fazer uma ideia, do que é não ser atendido por falta de pessoal. Pois, se se reduz pessoal os diversos serviços deixam de funcionar, já que não é só ter computadores e internet e intranet que se conseguem resolver os problemas.

O fazer de conta que a história não existe, é como atirar uma pedra para cima da nossa cabeça e esperar que por sorte ela caia ao lado. Quase de certeza que se não nos mexermos ela nos acerta em cheio na cabeça.

Neste vaivéns da política, e da política saí 2 entra 1 é lógico que irá existir défice, défice em várias áreas. Não existem verbas para o subsídio de nascimento, para o pessoal da função pública que tem ordenados acima dos 700,00 €, não faz mal, corta-se e não se repõe. Porém, este cortar aqui e cortar ali, leva os casais a retraírem-se de ter filhos, pois que um filho, quer com ajuda do estado quer sem ela custa a educar e a criar.

Nas classes mais baixas a proliferação dos filhos existem, e nalguns casos em plena adolescência. A natalidade tem sobe e desce ao longo dos anos e das décadas, em décadas mais «ricas», é lógico que as famílias irão ter mais filhos, pois que os podem efectivamente ter. Por outro lado, quando o Estado aperta com todo o contribuinte, chupando-o tudo aquilo que ele tem disponível então não fica espaço para se poder educar uma criança.

Será que o governo espera que todo o mundo fique estático e parado à espera de um provável milagre económico. Vejamos, o buraco existente hoje foi provocado por quem. Vem do tempo de X, vem do tempo Y, e daqui a pouco terá certamente sido D. Afonso Henriques, que resolveu rebelar-se contra a mãe, e assumir o Condado.

Vejamos o buraco foi provado por um banco, o qual o estado já vendeu, porém ficou com o produto tóxico, o qual é impossível parar, se não forem à raiz do problema, mas isso é outro problema, ninguém consegue perceber o sorvedoro que esse banco é. O buraco, dizem que contínua, este governo fala de 4 milhões, mas antes de ser governo já falava dos 4 milhões. Ora não foi a função pública que ficou com as carreiras congeladas há muito tempo. Que viu o seu vencimento ser reduzido em 3,5% o equivalente a cerca de 150,00 €, que já leva corte e mais corte, que vê um vencimento cada vez mais reduzido, olhando para o futuro sem quaisquer perspectivas.

Na realidade, na Função Pública trabalham pessoas que já tem por detrás uma carreira com desconstos, os quais nem sequer podem ser faladas, para adita aposentação aos 65 anos. Então se um sujeito qualquer tiver começado a trabalhar no privado, feito descontos para o privado durante esses dez anos, e depois entra na função pública, e ao fim de 28 anos a trabalhar para o estado, vem lhe dizer, «é pá, tem paciência, mas aquilo que descontaste para o sítio tal, não vale nada, só vais ter isto, menos X/, porque nós estoirámos o dinheiro que descontaste a fazer PPP's, a pagar Rendas a esta empresa, e a pagar os juros dos empréstimos que fizemos para as auto-estradas necessárias para as acessibilidades, pois que o Campeonato da Europa de Futebol não se faz sem auto-estradas.

Esta é a história de uma história, e é a visão de um cidadão comum, que já se arrepia do que irá ouvir a seguir. Já que o seu olhar pode ver numa rua bem movimentada de Tavira, que algumas lojas tinham desaparecido. A loja de Fotografia e reportagens de casamentos e baptizados fechou as portas e transformou-se em venda de imóveis. O Supermercado da Fruta na mesma rua está para obras, resta saber que tipo de loja irá existir. A loja da esquina que dá para o largo, está para «Aluga-se», a Livraria desapareceu, e mais uma série delas estão às moscas.

No meio disto, pergunto-me, para quê sacrificar os portugueses, quando as lojas fecham, porque não tem clientes, e os clientes não vão porque estão a ser completamente espoliados daquilo que ganham.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Se não tem préstimo para quê guardar?

Quando o país teve eleições antecipadas foi porque o governo anterior tinha cometido asneiras de tal forma, que não existia senão atirá-lo para o caixote do lixo, daí que o país tenha ido a eleições, e tenha escolhido o pessoal do outro lado da barricada. Se olharmos para o eleitorado, existiu eleitorado que nem sequer lá pôs os pés, por várias razões, porque todo o pessoal que chega ao governo, faz trinta por uma linha, não olha para o que se passa, pois que só vê ali mesmo ao pé da porta.

Pessoalmente não acredito que um governante não olhe para o que se passa na sua rua e na rua adiante onde mora. Bolas as lojas devem ter fechado, a frequência do café onde vai beber a bica deve ter caído a pique. Então porque é que os governantes não vêm isso.

Ignoro, mas não ignoro é que o país virou para o PSD porque estava farto do PS, ou melhor dizendo, do Engenheiro Sócrates. Virou para o PSD para fugir a outro lado, porém, quando o eleitor vota em determinado partido, está a votar em algo que não sabe o que terá pela frente. Tivesse o Primeiro Ministro dito que ia escolher o actual Ministro das Finanças, que, creio bem que muita gente, teriado votado para outro lado, talvez inclusivé mais à esquerda. Isto, o português não é nem burro, nem estúpido.

A meditação faz muito bem e relaxa a mente e os nervos, porém, em meditações já esteve o país em demasia, já existiram demasiados tempos de meditação. E sempre é preferível alguma bagunça, do que dar cabo de um país, que daqui a uns cem anos, é bem capaz de estar integrado numa das várias províncias espanholas.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O grande erro dos nossos políticos

O grande erro dos nossos políticos tanto faz eles serem da esquerda, direita ou centro, é que o país viveu uma explosão populacional em 1975/76 com a descolonização, e a entrada de milhares de pessoas da ex-colónias. Falemos claro, os «retornados» vieram trazer sangue novo, pessoas novas, mas também outro tipo de encargos.

Foi fácil integrar socialmente estas pessoas, porém, não foi tão fácil assim, olhar para o futuro, e chegar à decisão do tempo em que o nosso actual Presidente decidiu que por cada dois funcionários públicos que saissem só entraria um. Logo aí, começa sem dúvida o défice da Caixa Geral de Aposentações.

Anos mais tarde, é dado a hipótese ao Funcionário da FP que quando está a recibos verdes ou contratados possa descontar ou para a Segurança Social ou para a Caixa Geral de Aposentações. Como na maioria dos casos o contrato de trabalho até é a prazo, e após esse período o dito funcionário do estado até pode arranjar algo melhor, então mal por mal, a Segurança Social até é preferível. Porém, a nível político esqueceram-se que o sistema é um sistema em pirâmide, tem que existir entradas, senão não podem haver saídas. Isto é, a CGA não é nenhuma bolha financeira, porém o próprio estado, começou a fazer dela uma espécie de bolha, que rebenta um dia destes.

Esqueceram-se que as pessoas que vieram das ex-colónias, já há muito que deixaram o sistema, muitas até já faleceram, outras continuam a receber a sua aposentação e que muitas delas até pagaram à CGA para se poderem aposentar mais cedo.

Façam bem as contas, e olhem para a história, a coisa não é tão negra como os nossos políticos andam a fazer crer, porém existem uns que pensam que chupando o tutano dos ossos ao pessoal, conseguem encher os cofres do Estado para pagar juros altos, e a prazos curtos.